Tom 'hawkish' de presidente do Fed limita alta do Ibovespa a 0,98%

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Tom 'hawkish' de presidente do Fed limita alta do Ibovespa a 0,98% Manuel Balce Ceneta | Associated Press
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(Estadão Conteúdo) - O desfecho sem surpresas da aguardada primeira reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em ano do qual se espera elevação de juros e retirada de estímulos foi recebido a princípio com alívio pelos investidores globais, trazendo um pouco mais de lenha para a recuperação do Ibovespa, que já vinha ocorrendo em janeiro mesmo nos dias mais negativos em Nova York.

À tarde, a referência da B3 tocou o cume do dia aos 112.694,60 pontos (+2,26%) minutos após o comunicado do Fed, mas depois perdeu força, ainda antes do início da entrevista coletiva do presidente do BC americano, Jerome Powell - que acabou por colocar os índices de NY no negativo no fechamento, à exceção do Nasdaq (+0,02%), com perdas entre 0,15% (S&P 500) e 0,38% (Dow Jones).

O cenário "altamente incerto", que exige adaptação e respostas em conformidade, mencionado por Powell na parte final da entrevista, tirou Wall Street de bons ganhos na sessão para perdas que chegaram à casa de 1% no pior momento. "Há risco de que a inflação possa ser mais persistente do que esperado", reconheceu o presidente do Fed, em parte da entrevista lida pelo mercado como bem mais "hawkish" do que o preâmbulo, aparando também a retomada do Ibovespa.

Na máxima intradia desta quarta-feira, o índice da B3 foi ao maior nível desde 19 de outubro passado, quando havia saído de abertura aos 114,4 mil pontos. Ao fim, mostrava alta de 0,98%, a 111.289,18 pontos, agora no melhor nível de encerramento desde 18 de outubro (114.428,18 pontos), saindo nesta quarta de abertura aos 110.206,50, quase equivalente à mínima do dia, de 110.204,45 pontos. Na semana, os ganhos estão agora em 2,15%, enquanto os do mês vão a 6,17%. Reforçado, o giro foi a R$ 40,2 bilhões na sessão.

O comitê de política monetária do Fed indicou nesta quarta que pretende começar a reduzir o balanço de ativos após o início do ciclo de alta do juro básico. Em comunicado, informou que a redução ocorrerá ao longo do tempo, "de forma previsível", principalmente ajustando os valores reinvestidos de pagamentos recebidos de ativos mantidos na Conta de Mercado Aberto do Sistema (Soma, na sigla em inglês).

Na entrevista coletiva após a decisão desta quarta-feira, a princípio Powell apontou não ser possível destacar agora o ritmo de alta dos juros, observando que o Fed, mais uma vez, será guiado pelos dados. "Estaremos prontos para ajustar o balanço de acordo com as circunstâncias", disse também o presidente do Fed, de forma um tanto evasiva.

Por outro lado, ele reiterou o compromisso do BC americano de não permitir que a inflação se enraíze. "No tempo apropriado, vamos dar mais informações sobre a redução do balanço", acrescentou Powell, observando também que o "juro será ajustado com comunicação adequada" e que "vamos ter ao menos mais duas reuniões para discutir redução de balanço", em tom "dovish" de agrado do mercado.

Contudo, a falta de uma diretriz muito clara contribuiu para que os três índices de ações em Nova York murchassem ao longo da entrevista do presidente do Fed, o que levou o Ibovespa a chegar a devolver mais da metade do entusiasmo visto logo após o comunicado desta quarta-feira. A parte final da entrevista de Powell foi lida pelo mercado em tonalidade bem 'hawkish', especialmente no momento em que se referiu à forte inflação nos Estados Unidos e a incertezas pendentes no cenário, que exigem adaptabilidade do Federal Reserve.

No Brasil, o mercado segue atento também ao comportamento da inflação, especialmente pela ponderação entre renda fixa e variável suscitada pelo processo, ainda em curso, de elevação da Selic - nesta quarta foi a vez de conhecer, pela manhã, o IPCA-15 referente a janeiro, a 0,58%, ante 0,78% em dezembro.

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