Inversão da curva dos juros gera oportunidades aos investidores na renda fixa

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Inversão da curva dos juros gera oportunidades aos investidores na renda fixa Nataliya Vaitkevich | Pexels
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Neste início de 2022, ganhou destaque no noticiário econômico, principalmente nos EUA, a expressão "inversão da curva de juros" dos títulos americanos. E o que isso quer dizer afinal?

Em resumo, é o nome que se dá nos casos em que os juros dos títulos de longo prazo estão menores que os aplicados nos títulos de curto prazo. Portanto, a curva se inverteu.

Os títulos mais curtos estão pagando mais temporariamente porque se espera uma inflação mais alta no curto prazo e, por consequência, espera-se também um juro mais alto nesse período mais curto. Esse movimento causa estranheza porque a situação é contraintuitiva. O contrário - títulos curtos pagando menos do que títulos longos – é o mais comum, uma vez que prazos maiores representam também riscos maiores. É mais fácil prever o que acontecerá nos próximos meses do que daqui a uma década, por exemplo.

O mesmo vale para quem investe em um empreendimento com retorno de longo prazo, que precisa ser adiado até que o custo de captação seja compatível com a taxa de retorno.

Quando há essa inversão da curva de juros, com prêmios maiores para um período mais imediato na renda fixa, acontece ainda um efeito de redução nos investimentos em Bolsa, no setor imobiliário, já que torna mais caro iniciar qualquer tipo de empreendimento.

Um fato relevante documentado pelo Federal Reserve de Nova Iorque (Banco Central americano) é que a inversão da curva de juros nos Estados Unidos precedeu todas as recessões americanas desde 1950 - adiantando movimentos de contração da economia em um horizonte de quatro a seis trimestres futuros.

Vale lembrar que a última vez que a curva se inverteu foi em 2007, pouco antes da crise financeira de 2008. Antes do estouro da bolha das empresas de tecnologia, em 2001, esse movimento também se repetiu.

Estamos passando pelo mesmo no Brasil?

Estamos diante de um cenário em que a curva de juros inverteu. Isso já aconteceu outras vezes, mas de forma resumida o mercado precifica juros lá na frente menores do que os juros atuais.

Um dos motivos para esse movimento da curva de juros por aqui em nosso país é a inflação resiliente. Como tem se mostrado mais forte, gerando uma preocupação maior para o Banco Central, tem obrigado a autoridade monetária a subir juros no Brasil.

"É esperado que a alta de juros no curto prazo tenha um impacto na inflação. Fazendo ela convergir para o centro da meta, impactando os juros longos, uma vez que o Banco Central poderá, lá na frente, cortar juros porque teremos uma possível inflação dentro da meta. Por esse motivo, a curva se inverte deixando os vértices de curto prazo com taxas superiores aos de longo prazo", explica Eliakim Lemos, head da mesa de produtos da VLGI Investimentos.

Eliakim aponta que esse cenário de inversão de curva já aconteceu outras vezes e algumas oportunidades importantes se desenharam.

"A mais recente delas foi logo após a alta de juros entre 2015-2016 que gerou oportunidades muito boas de taxas nos títulos públicos. Nessa ocasião investidores que conseguiram alocar em títulos públicos tiveram rendimentos muito expressivos nos anos seguintes", lembra o assessor da VLGI Investimentos.

Governos emitem e vendem títulos no mercado financeiro para captar recursos. Aqui no Brasil, os papéis negociados do Tesouro Direto são um exemplo, com vencimento no curto, no médio e no longo prazos. Nos EUA, esses ativos são conhecidos como Treasuries, dos quais os mais negociados são os com vencimento em três meses, 2 anos e 10 anos.

No caso das instituições financeiras privadas, umas das principais atividades é captar recursos no curto prazo a um custo mais baixo para emprestar o dinheiro a prazos mais longos, lucrando com essa diferença (o famoso spread bancário). Com a curva invertida, os bancos não conseguem transformar o custo de curto prazo em um ativo rentável no longo prazo.

Na prática, esses tipos de títulos de renda fixa acabam atraindo os investidores porque reúnem uma tríade que o rentista sempre procura: segurança, rentabilidade e liquidez.

"Neste cenário atual, é muito importante que o investidor faça a sua análise sobre quando será realmente necessário usar algum recurso no curto prazo. Se conseguir fazer um planejamento e reservar um bom valor pelo menos pra 12 meses em títulos de curto prazo indexados ao IPCA+ já terá uma excelente diferença se o valor no mesmo tempo ficar no tão convencional CDI. É preciso aproveitar logo pois quando passar esse movimento de inversão das curvas de juros, essas taxas com retorno real serão inexistentes para aplicações tão curtas", ressalta Louise Porto, assessora de investimentos da VLGI.

Tesouro Direto

Mesmo com o mercado tendo elevado a projeção para a inflação em 2022, de 5,09% para 5,15% neste ano, segundo o último Boletim Focus, apenas os títulos públicos brasileiros de longo prazo apresentavam alta nesta segunda-feira (24). Os de curto prazo operavam em leve queda.

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que subiram 0,44% na terceira quadrissemana de janeiro, tendem a reduzir o fator inflação nos títulos.

Fique Atento: Além desses dados, os títulos públicos podem sofrer mais movimentações no preço nesta semana de acordo com o resultado da reunião do Federal Reserve (Fed), na próxima quarta-feira (26). Os investidores podem ficar mais cautelosos com mercados emergentes e reduzir suas posições em ativos mais arriscados, como as taxas de juros de médio e longo prazo.

Para acompanhar os dados atualizados diariamente sobre os preços e taxas dos títulos públicos brasileiros basta acessar a página oficial do Tesouro Direto ou falar com o seu assessor de investimentos.

Para entender melhor o funcionamento do Tesouro Direto e ajustar o seu portfólio de investimentos em renda fixa, ouça o episódio do podcast +Q1Minuto, que foi gravado com foco no tema para ajudar na sua tomada de decisão.

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