Prévias de resultados das construtoras no 4T21 apontam para descasamento com preço das ações

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Prévias de resultados das construtoras no 4T21 apontam para descasamento com preço das ações Pixabay
► Qual a correlação da inflação com os Fundos Imobiliários? O que afeta na carteira do investidor?► Prévia dos resultados da Cyrela no 4T21 aponta R$ 2,5 bilhões em lançamentos► MRV atinge R$ 8 bi em 2021 em recorde histórico de vendas

De forma surpreendente para o que a maioria dos profissionais do mercado financeiro esperava, o setor imobiliário no Brasil teve um quarto trimestre de 2021 bastante positivo. As prévias operacionais divulgadas por diversas incorporadoras têm apontado bons resultados no geral, com uma ou outra exceção.

As construtoras se beneficiaram de um mercado aquecido. No entanto, muitas registraram um crescimento dos estoques, e agora terão o desafio de vender os imóveis neste ano de 2022.

"Havia um receio do mercado sobre o momento operacional que as construtoras viveram durante o quarto trimestre, uma vez que a Cyrela - uma das maiores incorporadoras imobiliárias do país - foi uma das primeiras a divulgar a sua prévia e o resultado não foi bom. E, em seguida, outras construtoras mostraram recordes operacionais com crescimento de vendas. O momento operacional do 4T21 foi positivo para as construtoras, com um ponto ou outro negativo fora da curva", ressalta Leonardo Milane, Estrategista-Chefe da VLGI Investimentos.

A MRV & Co (MRVE3), que inclui operações nos EUA e no Brasil, divulgou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,4 bilhões no 4T21 e de R$ 8,1 bilhões no acumulado de 2021 - uma alta de 8% em relação a 2020. O detalhe é que aproximadamente 21,7% das vendas vieram da AHS, subsidiária americana da MRV.

A construtora Plano&Plano (PLPL3) atingiu recorde histórico no volume de vendas anuais em 2021. Segundo prévia operacional divulgada pela companhia, houve um crescimento de 51,8% em relação ao ano de 2020, alcançando R$ 1,3 bilhão em vendas líquidas (100% Plano&Plano).

Somente no 4T21, as vendas somaram R$ 304,5 milhões, valor 7,1% maior do que registrado no mesmo período no ano passado (R$ 284,3 milhões). A empresa lançou 19 fases de empreendimentos novos e 9 novas fases de empreendimentos já lançados. O Volume Geral de Vendas (VGV) foi de R$ 1,46 bilhões.

A EZTec (EZTC3) divulgou o seu maior volume de vendas desde o início da pandemia. Foram R$ 491 milhões em lançamentos no quarto tri do ano passado - alta de 28,9% perante R$ 381 milhões em 2020. Já as vendas brutas alcançaram R$ 402 milhões, 42,6% acima de 2020. A empresa ressaltou, em comunicado, que a pandemia a fez adiar projetos de empreendimentos de alto padrão.

A Mitre (MTRE3) anunciou que obteve com lançamentos R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre passado - aumento de 146% ante 2020. Porém, suas vendas foram de R$ 314 milhões (crescimento de apenas 11%).

Já os lançamentos da Even (EVEN3) cresceram 67,8% no 4T21, para R$ 809 milhões.

Em prévia operacional, a Aphaville (AVLL3) anunciou que encerrou o 4T21 registrando R$ 1 bilhão de vendas totais de loteamentos, crescimento de 62% em relação a 2020 quando encerrou com R$ 644 milhões.

A Melnick (MELK3) registrou vendas líquidas de R$ 195 milhões no quarto trimestre - uma subida de 182% em relação aos R$ 69 milhões de um ano antes. As vendas líquidas subiram 4% de 2020 para 2021, avançando de R$ 584 milhões para R$ 607 milhões.

Quem também registrou um ótimo desempenho foi a Direcional Engenharia (DIRR3). As vendas líquidas tiveram o melhor resultado desde a criação da empresa. No 4T21 foi registrado uma entrada positiva de R$ 668 milhões – alta de 28% em base anual. No acumulado de 2021, atingiu R$ 2,4 bilhões, um aumento de 45% em relação a 2020.

Além disso, a companhia do mercado imobiliário também registrou um recorde de R$ 3,14 bilhões em seus lançamentos, representando um aumento de 78% entre os anos de 2020 e 2021. No último trimestre de 2021, foram R$ 693 milhões em lançamentos.

A Cury (CURY3) divulgou a prévia operacional do 4T21 anunciando recorde histórico de lançamentos no trimestre com R$ 788 milhões, um aumento de 16,8% comparado ao mesmo período do ano anterior. Foram lançados 7 empreendimentos, sendo 4 localizados em SP e 3 localizados no RJ, com preço médio de vendas de R$ 228,4 mil, representando crescimento de 17,0% em relação ao 4T20 e um aumento de 4,0% em relação ao 3T21.

Em 2021, o Valor Geral de Vendas (VGV) atingiu R$ 2,8 bilhões, desempenho 80,8% superior aos R$ 1,5 bilhão registrados em 2020, com 26 novos empreendimentos lançados, 15 em SP e 11 no RJ.

Focada no seguimento alta renda nos setores de shopping centers, hotelaria e gastronomia, a JHFS acabou apresentando uma queda nas vendas contratadas no quarto trimestre de 2021. O valor arrecadado foi de R$ 340,2 milhões - ante R$ 378,6 milhões no mesmo período de 2020, queda de 10,1%. Entretanto, no comparativo anual, os números foram positivos. Nos doze meses de 2021 foram acumulados R$ 1,58 bilhão, representando um crescimento anual de 28,9%, na comparação com 2020, e 323,4% em relação a 2019.

"As construtoras grandes, que têm capital aberto, aparentemente, estão passando por um bom momento, apesar dos indicadores macroeconômicos no Brasil estarem mostrando alguma desaceleração e apesar do que sugere o nível de preço das ações do setor. E esse é o ponto mais interessante porque algumas construtoras tiveram queda no valor dos seus papéis de mais de 40% das suas máximas recentes, mas o lucro operacional segue subindo forte. Isso leva as ações a terem múltiplos bastante atraentes para os investidores", destaca Leonardo Milane, Estrategista-Chefe da VLGI Investimentos.

Contra a maré

A Cyrela (CYRE3) divulgou a prévia operacional de seus resultados no 4T21. Segundo os dados fornecidos, a companhia lançou 17 novos empreendimentos avaliados em R$ 2,5 bilhões. O volume é 11% menor do que o realizado no mesmo período de 2020 (R$ 2,8 milhões) e 16% acima do 3T21 (R$ 2,2 milhões).

No ano, o VGV (Valor Geral de Venda) de lançamentos atingiu R$ 7.105 milhões, 22% maior que em 2020. O indicador de Vendas sobre Oferta (VSO) de 12 meses de 44,0%, abaixo do VSO 12 meses apresentado no mesmo trimestre do ano anterior (48,4%) e inferior ao VSO apresentado no 3T21 (49,6%).

Os lançamentos da Construtora Tenda recuaram 5,5% no quarto trimestre de 2021 na base anual, somando R$ 836,2 milhões em valor geral de vendas (VGV), segundo a prévia operacional. No período, foram lançados 17 empreendimentos, com total de 5.656 unidades. As vendas líquidas da construtora caíram 1,8% ante o mesmo trimestre de 2020, para R$ 780,9 milhões.

Os lançamentos da Tenda caíram 6% no quarto trimestre de 2021 em base anual, para R$ 836 milhões. Em 2021, os lançamentos totalizaram R$ 3,1 bilhões, alta de 15% ante 2020. A receita líquida, por sua vez, caiu 2% no trimestre em base anual para R$ 781 milhões, levando os números anuais a R$ 3,1 bilhões, alta de 22%.

A Helbor (HBOR3) foi outra que anunciou sua prévia operacional referente ao 4T21. Segundo os dados divulgados, a companhia lançou R$ 1,5 bilhão de Valor Geral de Venda (VGV) total, correspondendo a 68,8% do limite inferior do Guidance, sendo que a Parte Helbor alcançou somente 62,0%. A justificativa para o desempenho foi o adiamento do lançamento de quatro empreendimentos avaliados com um VGV de R$ 838,6 milhões para o 1T22 devido a questões legais e comerciais.

O índice de Vendas Sobre Ofertas (VSO) também apresentou queda. A parte Helbol caiu 5,2 p.p em relação ao 3T21 com 8,9%. No comparativo anual, foi 0,7 p.p. inferior a 2020.

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