China mostra sua força e puxa retomada da economia mundial durante a pandemia

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China mostra sua força e puxa retomada da economia mundial durante a pandemia Thomas White/Ilustração/Reuters

A China superou as expectativas de crescimento econômico em 2021 ao anunciar crescimento de 8,1% do PIB (Produto Interno Bruto), com 114,4 trilhões de yuans. Os dados divulgados pelo Birô Nacional de Estatísticas do país, consagram o gigante asiático como líder da retomada econômica mundial durante a pandemia de Covid – 19, mostrando toda sua força e resiliência.

Em meio a surto da variante Ômicron e crise no setor imobiliário escancarado pela construtora e incorporadora Evergrande, o quatro trimestre registrou uma desaceleração deste PIB, uma vez que no período de outubro a dezembro foi de 4% após uma alta de 4,9% no 3º trimestre. Porém, a produção industrial teve aumento de 4,3% no último mês.

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Fonte: Escritório Nacional de Estatísticas da China

A inflação chinesa também desacelerou em dezembro. Segundo dados divulgados no dia 12 de janeiro pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS – Sigla em inglês), o índice de preços ao consumidor avançou 1,5% em relação ao ano anterior, contra expectativa de alta de 1,8% e registrando 2,3% no mês de novembro. A inflação industrial também caiu após máxima histórica de 13.5% em outubro. No último mês, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), fechou em 10,3%. Essa queda da inflação pode ser relacionada às medidas do governo Chinês para frear o preço das matérias primas e a crise energética

“A inflação mais baixa abre espaço para o governo afrouxar as políticas monetárias. A probabilidade de um corte de juros está aumentando, na nossa visão”, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, em nota.

Na contramão do mundo, que aumenta taxas de juros para tentar controlar a escalada da inflação, o Banco Central Chinês (Banco do Povo da China – PBoC) anunciou nesta quinta-feira (20) a redução de sua taxa de juros de referência de um ano de 3,8% para 3,7% e a taxa de cinco anos ou mais, de 4,65% para 4,60%, sendo que na segunda-feira (17) a taxa de empréstimo de médio prazo de um ano em 10 pontos base já havia sido reduzida para 2,85%.

Crescimento econômico

A ampliação da demanda interna é apontada como principal responsável por esse resultado tão positivo. No ano, houve crescimento de 79,1% em demandas domésticas; os investimentos em ativos fixos ultrapassaram 50 trilhões de yuans, aumento de 4,9% e a venda a retalho de produtos consumidos pela sociedade superou 40 trilhões de yuans, alta de 12,5% em relação a 2020.

Somente o mercado interno chinês com 1,4 bilhão de habitantes, número sete vezes maior do que o brasileiro, já alimenta a circulação da economia. Porém, a política que foi adotada pelo país atuou nas duas frentes, uma vez que a importação foi estimulada com a alta da demanda doméstica, enquanto a exportação bateu recordes histórico com a necessidade de produtos no restante do mundo.

Forte exportadora de produtos utilizados no combate a pandemia, até o final do ano passado o país asiático havia oferecido cerca de 372 bilhões de máscaras, 4,2 bilhões de trajes de proteção e 8,4 bilhões de reagentes de detecção para a comunidade internacional, além de mais de 2 bilhões de doses de vacina a mais de 120 países e organizações internacionais. O Birô Nacional de Estatísticas anunciou que, com base em estimativas preliminares, o país poderá ter contribuído com 25% do crescimento da economia mundial em 2021.

“O governo chinês aparentemente errou a mão em um passado recente quando falou em restringir a produção de aço, em conter o avanço da poluição, e nesse sentindo desincentivar a produção industrial. Com isso, a economia chinesa desacelerou no 2T21, fazendo com que ele voltasse atrás, aplicando vários estímulos como a redução de compulsórios, redução de juros para determinadas linhas de financiamento e algumas outras medidas. As ações já mostram efeitos de acordo com dados mais recentes divulgados" diz Leonardo Milane, Estrategista - Chefe da [VLGI Investimentos].(https://lp.mercado1minuto.com.br/fale-especialista)

Crise no setor imobiliário, surto da Ômicron e queda da natalidade

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Fonte: EFE/EPA/GT.

Ao que tudo indica, a bolha do setor imobiliário chinês estourou. A Evergrande, segunda maior construtora e incorporadora do país, registrou seu pior ano em 2021,com queda de 90 % nas vendas no comparativo anual. A companhia já dava indícios de calote bilionário em bancos da China, após já ter anunciado o não pagamentos dos offshore fora do país. Demais empresas como a Shimao, Fantasia e Country Garden também enfrentam grandes dificuldades financeiras.

Mesmo conseguindo recuperar um pouco o valor de mercado em pregões durante a semana, o governo chinês luta para isolar essa crise com medidas de redução de juros, como a citada acima, uma vez que a maioria dos empréstimos novos e pendentes na China é baseada na taxa prime de um ano, enquanto a de cinco anos influencia o preço das hipotecas residenciais.

Essa crise impacta a economia global, devido a quantidade de insumos importados, principalmente o Brasil, que tem no gigante asiático seu maior parceiro comercial devido a importação de minério de ferro, além da possibilidade de atingir a população com demissões em massa, gerando uma reação em cadeia em toda linha do consumo, e crise nos bancos que são detentores desses bonds. Porém, Mateus Honorato, economista da VLGI Asset, acredita que a possibilidade desta crise estourar no mundo seja pouca, dado o perfil da economia fechada no país, com um mercado bem mais regulado pelo Estado.

Outro fator que afeta a economia chinesa é o surto da Ômicron. A política de COVID Zero adotada pelo governo decreta lockdown absoluto em províncias que registrem índices mais altos de contaminação. Essa determinação faz com que diversas atividades industriais e portuárias sejam interrompidas ou drasticamente reduzidas, afetando diretamente o abastecimento de toda cadeia de suprimentos, além dos fretes marítimos e toda a logística global.

Porém, o maior desafio do governo chinês será a queda de natalidade enfrentada no país. Em 2021, o número de nascidos caiu pelo quinto ano consecutivo registrando crescimento de apenas 0,034% da população, com apenas 10,6 milhões de nascimentos. Em 2015 o governo decretou fim da Lei do Filho Único, permitindo até duas crianças por casal e, em 2016, o número foi aumentado para três.

Até 2015, a China tinha uma politica de filho único. Era uma política bem controversa onde a população só poderia ter um filho. Eles acabaram com essa norma o que gerou um breve efeito na natalidade. Como o país é muito dependente de mão de obra barata, pois é o modelo econômico deles, essa taxa de crescimento populacional menor, consequentemente gera um crescimento econômico menor” diz Matheus Honorato, Economista da VLGI Investimentos.

Parceria com o Brasil

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia, a balança comercial registrou o maior superávit da série histórica em 2021. Houve um crescimento de 34% nas exportações em comparação a 2020, com US$ 280,39 bilhões atingidos, enquanto as importações cresceram 38,2% e totalizaram US$ 219,39 bilhões. Responsável por 31,28% das exportações brasileiras, com a cifra de US$ 87,696 bilhões, e por 21,72% das importações, a China se estabeleceu ainda mais como maior parceiro comercial do Brasil.

Assim, o impacto de seu crescimento econômico nos atinge diretamente. Como somos um país exportador de produtos majoritariamente agro e de commodities, é preciso que a economia de nossos parceiros vá bem para que a nossa caminhe na mesma direção. No caso específico da China, o minério de ferro é o principal produto adquirido.

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