Economia em 2022: crescimento do país e política monetária serão desafios

Atualizado em -

Economia em 2022: crescimento do país e política monetária serão desafios Pexels
► China retoma importação de carne brasileira► Fed anuncia aceleração na retirada dos estímulos e mantêm taxa de juros entre 0 e 0,25%

O ano de 2021 está ficando para trás, mas o brasileiro não vai esquecer de dois cenários que fizeram parte dos nossos dias durante todo este ano: inflação alta e taxa de juros crescente.

Ainda impactados pelas restrições de uma pandemia que vai completar dois anos, vimos o Banco Central (BC) e o Ministério da Economia fazerem uma verdadeira "ginástica" na tentativa de retomar a economia.

E, em 2022, o cenário deve continuar bem parecido. É o que acredita o economista Matheus Honorato, da VLGI Asset. Para ele, dois temas principais vão marcar a economia nacional no próximo ano: a política monetária do BC e o baixo crescimento do Brasil.

"A gente viu, em 2021, a Selic sair de 2% e terminar o ano em 9,25%. É um aumento bem significativo de juros em pouco tempo, principalmente para controlar as expectativas de inflação. Nas últimas semanas, a gente tem visto que de fato as expectativas de longo prazo deram uma melhorada, tiveram alguns sinais de arrefecimento, mas as expectativas para este ano e para o ano que vem continuam com inflação alta, em 10% este ano e em 5% ano que vem", explica.

O remédio para a inflação alta é o aumento dos juros. Por isso, o Banco Central já sinalizou que vai realizar um novo aumento da Selic, novamente em 1,5 ponto percentual, na primeira reunião de 2022. Além disso, a inflação pode estourar a meta do próximo ano, impactada pelos gastos do governo em ano eleitoral.

"Então a gente deve esperar os juros reais positivos, taxa de juros em dois dígitos. Se a inflação vai ficar ou não na meta a gente ainda não tem como saber. Se ficar dentro da meta, vai ficar bem perto do limite superior de 5%, mas existe a possiblidade de ficar fora por causa do problema fiscal que estamos tendo. O governo vai gastar muito no ano eleitoral, vai gastar de uma forma não planejada, de uma forma que mina a credibilidade fiscal da nossa dívida, então podemos ter ainda que enfrentar uma inflação alta no ano que vem", afirma Matheus Honorato.

O segundo tema de destaque para 2022 é o crescimento econômico do Brasil. Segundo Honorato, o país deve crescer 1/6 da média dos países da América Latina.

"A gente vai crescer muito pouco. Tivemos o efeito da pandemia, retrocedemos 4% em 2020, em 2021 a gente vai crescer só 4,5% segundo as expectativas e ano que vem, em 2022, a gente tem expectativa de crescer 0,5% enquanto outros países da América Latina vão estar crescendo 3% ou 2%. É uma diferença bem significativa", enfatiza.

Entre os obstáculos para o crescimento do país está a taxa de desemprego. Embora os índices tenham caído nos últimos levantamentos, ficando em 13,2% na última pesquisa divulgada pelo IBGE, um ranking feito pela agência de classificação de risco Austin Rating a pedido do portal G1 mostra que o Brasil tem a 4ª maior taxa de desemprego do mundo numa lista com 44 países.

Outro grande desafio para 2022 é que, em um ano eleitoral, a agenda de reformas proposta pelo governo deve ficar ainda mais distante de ser aprovada. Matheus Honorato acredita ser "pouco provável" a aprovação de uma reforma administrativa ou tributária e lembra que o governo teve que apostar na PEC dos Precatórios para conseguir verbas, já que a reforma do IR também não aconteceu.

No cenário internacional, Matheus afirma que a retirada de estímulos monetários pelo Federal Reserve (FED) nos Estados Unidos deve ser um dos destaques do próximo ano.

"Eles estão muito mais preocupados hoje com a inflação, que atingiu 6,2%, e eles estão muito mais preocupados com a inflação do que com a variante ômicron. Como os estímulos monetários vieram para combater os efeitos nocivos da pandemia, se não existe mais essa preocupação tão grande com a pandemia, a economia está se recuperando, perto do pleno emprego, eles vão retirar os estímulos, já começaram, e possivelmente vão aumentar os juros já no ano que vem", aponta o economista.

Em relação à Europa, a variante ômicron deve causa mais impactos na região. Alguns países já determinaram restrições novamente por conta da pandemia e, por isso, as taxas de juros por lá devem continuar baixas para estimular a economia.

Outro ponto de destaque em 2022 vai ser a desaceleração econômica da China.

"A China está desacelerando. O crescimento populacional e a taxa de fertilidade estão caindo. No ano que vem, a gente deve ver um crescimento menor do que o esperado e políticas ainda de regulação do setor de tecnologia, de educação, enfim…muito tumulto político e possivelmente a continuação da guerra comercial entre China e Estados Unidos", afirma Matheus Honorato.

Relacionados:

► China retoma importação de carne brasileira► Fed anuncia aceleração na retirada dos estímulos e mantêm taxa de juros entre 0 e 0,25%

Leia mais: