Gastos Invisíveis: pequenos gastos com um grande peso no seu bolso

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Gastos Invisíveis: pequenos gastos com um grande peso no seu bolso Pexels
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É normal que deixemos gastos pequenos de lado, pois, na nossa realidade, julgamos que os menores consumos não impactam nas finanças mensais. Só que não é bem por aí. Os chamados “Gastos Invisíveis”, podem tomar boa parte do seu suado dinheiro. Eles podem ser: taxas de bancos, compras do dia a dia na rua, aplicativos de viagens etc.

De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), no final de 2021, foi registrado que 75,6% dos brasileiros estão endividados. Considerando o levantamento, é necessário estar atento a todos os tipos de gastos invisíveis, que estão ativos nas dívidas mensais, para assim não ter a sua renda totalmente comprometida e fugir dessa estatística.

Além disso, não podemos deixar de citar o aumento dos gastos durante a pandemia da Covid-19. De acordo com uma pesquisa que saiu em julho de 2020, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com a Offewise, empresa de insights de pesquisa da América Latina, foi registrado que cerca de 42% dos entrevistados disseram que a pandemia aumentou os gastos.

“De grão em grão, a galinha enche o papo”, agora esse ditado faz sentido, não é? Economizar em gastos invisíveis pode até parecer bobagem. Contudo, em tempos de pandemia, em que diversas famílias tiveram seus orçamentos impactados, fazer pequenas economias pode ser salvação no final do mês.

O que são gastos invisíveis?

Na prática, os gastos invisíveis são aquelas despesas que você tem em seu cotidiano, mas que acabam não recebendo a atenção devida por conta de seu tamanho. Inclusive, muitas nem são notadas pelos consumidores. A partir disso vem o nome delas, pois se tornam quase invisíveis.

“Os gastos invisíveis são aqueles que são imprevistos, que o consumidor se dá o ‘luxo’ de ter. Por exemplo, comprar algo a mais porque está escrito que está em promoção, mesmo sabendo que não se planejou para gastar aquilo”, explicou a Educadora Financeira do Mercado1Minuto, Letícia Kratka, em entrevista.

Existem dois motivos para elas serem consideradas “invisíveis”. O primeiro é devido ao pequeno valor, que causa impressão de serem irrelevantes, incapazes de afetar seu bolso. Já o segundo, por sua vez, tem a ver com o fato de que são gastos automáticos, sem a pessoa acompanhar ou se dar conta de que estão acontecendo naquele momento. Veja quais são os principais tipos desses gastos:

  • Compras no dia a dia na rua: Tanto faz, elas podem ser de roupas, acessórios, materiais para casa, itens de papelaria ou simplesmente comida. Esses gastos são essenciais, mas se feito esporadicamente, acabam se tornando desnecessários.

  • Corridas de táxi e por aplicativos de viagem: Embora a Uber, 99Pop e outros sejam essenciais atualmente, se solicitado constantemente pode virar uma grande bola de neve no final do mês. Vamos concordar que existem lugares que podemos ir a pé e poupar nosso bolso.

  • Pedidos de comida e bebida por app de delivery: Por ter cupons de desconto em abundância, e por sua facilidade, as pessoas pensam que pode ser uma prática para o cotidiano. No entanto, se colocarmos no papel o custo das refeições feitas por delivery, é possível ver que o que sai mais em conta é uma comida feita em casa.

  • Taxa de manutenção da conta-corrente: É comum pensar que esse é um gasto essencial não relevante, mas, se for calculado os 12 meses de taxa, dependendo do banco, o valor cobrado pode ser alto. Por isso, algumas vezes, é mais econômico optar por uma fintech que não faça cobranças pela manutenção de seus serviços.

  • Plataformas de streaming: Esse sistema tomou muita notoriedade nos últimos anos, barrando até mesmo a TV por assinatura, por ser mais barato. No entanto, ele é um gasto muito relevante. Por exemplo, considerando que a média de uma assinatura é de R$ 25,00 por mês, no final do ano você terá pago R$ 300 pelo sistema.

Os gastos invisíveis vão depender muito da realidade de cada consumidor. Portanto, os exemplos citados só são alguns, de muitos. Uma dica que pode ajudar é calcular o valor final dos seus gastos mensais ou anuais. Assim, ficará muito mais fácil de observar o que pode ser excluído do seu orçamento e o quanto pode ser economizado.

“O que faz com que um gasto seja invisível é a falta de controle dele. Então, não significa que você não possa comer um iFood, ou que não possa comprar uma roupa. Se você não possui esse valor determinado em seu orçamento, ou não se planeja para ter esses luxos, com certeza, no final ele vai se tornar um prejuízo”, disse a educadora.

Impacto na vida financeira

Embora os custos dos gastos invisíveis sejam pequenos a curto prazo, a realidade é que a médio e longos períodos o valor pode ser prejudicial ao seu orçamento. Isso acontece porque eles funcionam como uma bola de neve que cresce pouco a pouco e, com o tempo, compromete boa parte do seu salário.

Os gastos invisíveis, muitas vezes podem levar o consumidor para um ciclo de endividamento, onde o mesmo não consegue sair sem ajuda de outrem. Para desviar deles, basta ter em mente o seu valor a longo prazo.

“Na minha visão, o que prejudica não é gastar com itens supérfluos e, sim, não se planejar para ter esses itens. Por exemplo, a partir do momento em que você tem dentro do seu orçamento que poderá gastar cem reais por semana com iFood, você pode sim comprar pois já havia planejado isso. Então, o prejuízo vem do consumidor não se planejar e, não necessariamente, dele comprar alguma coisa classificada como supérflua. Se você possui um planejamento que permite um débito de 5% da sua renda para itens supérfluos, você pode gastar sim, se não ultrapassar essa porcentagem”, ressaltou Kratka.

Saindo dos gastos invisíveis

Primeiramente, para diminuir os gastos invisíveis ou se livrar por completo deles, você deverá passar por um processo de educação financeira em relação aos seus hábitos de consumo. Além disso, é muito importante estudar o seu orçamento mensal, separando o que pode ser gasto e o que não pode.

Adotar uma vida minimalista pode ser uma resposta para esse problema. Essa opção prega justamente a redução de gastos, o consumo consciente e o fim do comportamento acumulador de mercadoria, serviços e outros. Para algumas pessoas, esse método pode ser cruel, pois ele foge dos gastos invisíveis. Resumidamente, o consumidor viverá com o necessário e economizará o máximo.

Outra opção é definir corretamente suas saídas: em shoppings, lojas e departamentos. Definindo-as, será mais fácil ter controle dos gastos. Por exemplo, se o consumidor quiser comprar somente uma camiseta para ir a uma festa, ele pode procurar lojas na internet e ir diretamente a ela, sem precisar ficar andando pelo departamento ou shopping.

“Às vezes, em lojas online, você pode ver uma mercadoria que está com um 'super descontão'. Por exemplo, um microondas que está por R$ 300, sendo que o custo é acima de R$ 500, mas você compra sem perceber que o frete é trezentos reais. Então, acaba saindo por R$ 600”, exemplificou Kratka.

Com foco no mundo digital, é necessário prestar atenção nos aplicativos de delivery, serviços de fidelidade e streamings. Provavelmente, essa é a modalidade que mais pode pesar no orçamento do consumidor. Uma dica é somente assinar os serviços que serão realmente usados. Por exemplo, se o consumidor só utiliza Netflix, não há necessidade de assinar outros serviços. No entanto, caso queira utilizar outras plataformas, vale compartilhar valores com conhecidos para reduzir os custos.

No caso de serviços de fidelidade, como Amazon Prime, só são necessários se o cliente realmente fizer compras constantemente. Em relação aos aplicativos de delivery, que criam uma certa comodidade, podem ser substituídos por comida caseira. O dinheiro que será gasto para comprar o delivery do dia pode ser investido em alimentos para a semana toda.

Como reforçado durante a matéria, os gastos invisíveis podem representar um grande risco às suas finanças, aumentando as chances de endividamento. Porém, não é impossível evitá-los. Ao contrário, o segredo é estudá-los para que seu orçamento não seja totalmente comprometido.

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