Novo ciclo de alta da Selic leva investidores a ampliarem aportes em renda fixa

Atualizado em -

Novo ciclo de alta da Selic leva investidores a ampliarem aportes em renda fixa Scott Graham | Unsplash
► Selic alta impacta nos Fundos Imobiliários; Diversificar tipos de FIIs é um bom caminho para investir► B3 passa a permitir o aluguel de cotas de ETFs de Renda Fixa

Todos os dias o noticiário especializado em finanças inunda os leitores com conteúdos sobre renda variável. O fascínio por lucros extraordinários acaba levando possíveis investidores a deixarem de lado uma categoria que volta a ganhar mais espaço com a Selic voltando aos dois dígitos no nosso Brasil.

Levantamento periódico da Anbima aponta que, até outubro deste ano, as aplicações dos brasileiros em fundos de renda fixa já acumulavam uma captação líquida positiva de R$ 255,2 bilhões.

Anbima (outubro) Industria x Renda Fixa.png

Fonte: Anbima

Em outubro, a indústria de fundos registrou uma captação líquida de R$ 15,7 bilhões - saldo de R$ 420,9 bilhões em 2021. A classe renda fixa liderou em entrada líquida no mês, mesmo com redução no fluxo de recursos, saindo de R$ 35,8 bilhões em setembro para R$ 17,4 bilhões em outubro.

O último relatório Focus, do Banco Central, aponta que a inflação medida pelo IPCA deve chegar ao patamar de 8,69% até o fim deste ano. A Selic (taxa básica de juros) deve encerrar 2021 em 8,25%. A subida destes números gera uma consequente alta nos preços de papéis de crédito tornando mais atrativos os investimentos em renda fixa.

“O Banco Central está olhando a expectativa de inflação, afinal de contas, você sobe o juro e teoricamente você atrai mais capital para o país. Tendo mais capital você tende a jogar o dólar para baixo e apreciar o real, e tende a tornar o investimento em renda fixa um pouco mais atraente”, afirma o Sócio e Economista da VLGI, Leonardo Milane.

Ainda que a renda fixa seja uma categoria com menos riscos de perdas financeiras na carteira, os investidores devem avaliar bem os ativos antes de tomar decisões sobre suas aplicações.

"Vão ter momentos bons para a renda fixa, que é o que estamos começando a viver agora, e, por outro lado, também momentos positivos para bolsa de valores e outros ativos. O mais importante é o investidor entender que o mercado é cíclico. E que as locações devem priorizar um horizonte de mais longo prazo", completa Eduardo Parussulo, RI da V8 Capital.

Em linhas gerais, títulos da renda fixa, em especial os que são atrelados ao CDI ou à inflação, tendem a se beneficiar do movimento atual de alta da taxa básica de juros.

Para Henrique Zimmermann, Sócio e Head Nordeste da VLGI as melhores oportunidades para quem quer investir por um prazo curto estão nos títulos atrelados ao CDI. Já para aqueles que olham mais no longo prazo, as oportunidades estão nas aplicações corrigidas pelo IPCA.

"O pós-fixado no CDI está interessante para quem quer investir durante um ou dois anos, porque é certeza que vai subir, só não sabemos a velocidade. O investidor vai conseguir surfar e ganhar todas as altas de juros até o vencimento do título. Já quando o investimento for passar de dois ou três anos, faz sentido um IPCA +, para garantir uma taxa boa por um período mais longo", avalia Zimmermann.

Podcast +Q1Minuto

Ouça a íntegra do episódio abaixo, para entender um pouco mais sobre o cenário brasileiro de oportunidades para os investimentos em renda fixa e outros ativos no próximo ano.

Relacionados:

► Selic alta impacta nos Fundos Imobiliários; Diversificar tipos de FIIs é um bom caminho para investir► B3 passa a permitir o aluguel de cotas de ETFs de Renda Fixa

Leia mais: