Planejamento financeiro e consciência

Coluna de

Leticia Prata

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Planejamento financeiro e consciência Gabrielle Henderson | Unsplash
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Um bom planejamento financeiro se inicia com consciência. Mas consciência, Leticia? Sim, consciência! Toda vez que converso com algum cliente procuro entender qual nível de conhecimento e consciência ele tem a respeito de sua vida financeira, para que assim eu possa ajudá-lo a atingir o máximo do seu potencial e que ele seja de fato o maior responsável pela construção de sua independência financeira.

Para colocarmos em prática a estrutura de um bom planejamento financeiro, precisamos entender que ele se divide em três principais pilares. O primeiro deles, é o pilar da segurança. Apesar de comprometer um percentual pequeno da nossa renda, esse é o pilar mais importante! Ele engloba todas as ferramentas que podemos e devemos utilizar para que possamos olhar para frente com tranquilidade. Esse pilar funciona como a fundação de uma casa. Uma vez bem estruturado, ele se torna o alicerce que apoiará a construção das outras etapas. Aqui falamos da famosa reserva de emergência, das proteções pessoais e patrimoniais, dentre outras ferramentas que nos trazem segurança. Grande parte das pessoas já ouviu falar dessas ferramentas, mas não tem dimensão de como elas são importantes, de como elas devem ser construídas, do percentual da renda que elas podem comprometer. Não colocar essa etapa em prática pode comprometer todo um planejamento financeiro.

O segundo pilar é o da qualidade de vida. Nessa etapa, precisamos entender a fundo quais são nossos sonhos e projetos de curto, médio e longo prazo e o qual o percentual da nossa renda que eles comprometem. Tão importante quanto acumular recursos ao longo da vida é desfrutar daquilo que construímos com tanto esforço. Essa etapa geralmente permeia o pensamento de todos. Afinal, quem não deseja viajar, permitir que os filhos estudem em uma boa escola, trocar de carro ou de casa? E quantas vezes não nos deparamos com a famosa frase: “meu sonho é chegar no meu primeiro milhão?”. Porém, pouquíssimas são as pessoas que estruturam no papel (ou, em tempos tecnológicos, no app do seu celular, como queira) de que forma vão alcançar esses sonhos. Qual o prazo desse projeto, qual o valor mensal que ele vai comprometer, quais serão os esforços necessários para atingi-lo? Parece simples, mas pouquíssimas pessoas de fato o fazem. Isso envolve consciência, conhecimento da própria vida financeira, de hábitos, das próprias qualidades e defeitos. Se eu sei que sou uma pessoa indisciplinada financeiramente, se tenho consciência sobre isso, posso buscar algumas ferramentas simples que me ajudem a lidar com minhas falhas.

O terceiro pilar é o da independência financeira. Uma vez que eu estou protegida e faço aquilo que gosto, a ideia é que eu construa minha vida financeira de forma a poder desacelerar ou parar de trabalhar. Eu espero que você, que está lendo esse texto, se identifique de tal forma com sua atividade profissional que não se enxergue encerrando suas atividades no futuro, apenas desacelerando. Para você, eu desejo que seu planejamento financeiro te traga poder de escolha, ou seja, te permita desacelerar e escolher quanto tempo você deseja dedicar a essa atividade no futuro. Mas se você não gosta da atividade profissional que desempenha hoje, eu desejo que seu planejamento financeiro te traga poder de escolha. Que no futuro você possa escolher parar de trabalhar, sabendo que seu padrão de vida não irá se alterar. A independência financeira só é conquistada com consciência, disciplina e planejamento. Usar nosso conhecimento e o tempo ao nosso favor, nos garante uma chance maior de alcançar os objetivos traçados. É como dizem, não há vento favorável para quem não sabe para onde deseja ir.

Podemos dizer que um planejamento financeiro harmônico é aquele no qual esses três pilares estão bem estruturados e conversam entre si. E por que é tão importante falarmos sobre isso? Contar com ajuda profissional para construir minha independência financeira é tão importante quanto contar com auxílio profissional para cuidar da minha saúde! Conversar sobre o assunto nos faz observar nossos hábitos, nossos pontos de melhoria, nossas qualidades. Para que saibamos o que nos separa dos nossos objetivos e qual nível de esforço devemos dispender, é importante que esses números estejam claros, ano após ano.

Traçar estratégias e acompanhá-las ao longo dos anos nos permite tangibilizar o que muitas vezes permeia apenas nosso pensamento. O que te traz mais tranquilidade? Saber que falta pouco para quitar sua casa ou saber que faltam 3 parcelas? Saber que você está quase pagando o intercâmbio do seu filho ou que faltam apenas R$ 300,00. Saber que falta pouco para suas tão merecidas férias ou que faltam apenas 7 dias? Ao longo da nossa vida produtiva, quando falamos em planejamento financeiro, devemos transformar nossas sensações e sentimentos em números. Por incrível que pareça, isso irá eliminar nossa ansiedade nos momentos difíceis e nos fará capazes de tomar decisões sensatas. Se cumprirmos nosso papel ao longo dos anos com consciência e disciplina, no futuro percorreremos o caminho inverso: os números se tornarão sentimentos. O volume de recurso e patrimônio acumulados será transformado em tranquilidade, paz de espírito e independência financeira.

Que você tenha consciência de quem é e onde deseja chegar. Seguindo esse caminho, com certeza, você viverá bem no presente e no futuro alcançará a vida financeira que deseja manter! Vamos juntos até lá?

  • Leticia Prata é especialista em Gerenciamento de Riscos na VLGI Vida.

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