Com 40 mil investidores na B3 e receita líquida anual de 38%, Boa Safra quer consolidar mercado

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Com 40 mil investidores na B3 e receita líquida anual de 38%, Boa Safra quer consolidar mercado Cauê Diniz | Divulgação - Boa Safra Sementes
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Em abril de 2021, o empresário Marino Colpo realizou um antigo sonho de abrir capital da sua empresa na bolsa de valores e a Boa Safra Sementes movimentou R$ 459,9 milhões com a Oferta Pública Inicial de ações na B3. Os papéis SOJA3, que estrearam a R$ 9,90, terminaram a primeira quinzena de setembro com uma valorização acumulada no ano de 42,7%.

"Somos uma empresa considera uma small cap e o nosso objetivo foi fazer um IPO raiz, 100% primário, com investimento total do dinheiro no negócio - diferente de casos em que tem algum fundo investidor dando saída ou sócio realizando lucro através da abertura de capital na bolsa", explica Marino Colpo.

A soma de fatores como ter sido a primeira companhia brasileira do setor a fazer a sua abertura de capital na bolsa, estar inserida dentro do setor do agronegócio (bastante resiliente), ter uma trajetória de crescimento acelerado e ser uma empresa asset light (com a menor quantidade possível de ativos) levou 17 mil pessoas físicas a participarem do IPO. Hoje, o número total de CPFs de investidores já passa dos 40 mil.

Em entrevista exclusiva ao Mercado1Minuto, o CEO da Boa Safra Sementes contou um pouco do histórico da empresa, quais são os desafios para a manutenção do crescimento do negócio e as metas futuras da companhia líder do segmento de produção de sementes de soja no país (com 5,7% de market share).

Atualmente, a Boa Safra trabalha com uma cadeia de 160 produtores integrados para cultivar e produzir a semente matriz. E, além disso, também é responsável por licenciar o material genético da soja com multinacionais.

Em onze anos, o faturamento anual da companhia saltou de R$ 32 milhões, em 2009, para quase R$ 600 milhões, em 2020. Com sua principal planta na cidade de Formosa (GO), a 80 km de Brasília, a Boa Safra registrou um crescimento de 38% na receita líquida, no acumulado dos últimos 12 meses fechado em 30 de junho de 2021.

"Nós temos como meta abrir cinco novas plantas de fábricas nossas nós próximos cinco anos, além de ampliar as duas atuais. É um processo fabril dentro do Agro e desejamos manter o forte crescimento do nosso negócio", aponta o CEO da Boa Safra.

Uma particularidade do negócio é que a Boa Safra, por conta do ciclo de plantio da Soja, tem um faturamento sazonal. Nos meses de fevereiro, março e abril, as fábricas funcionam a todo vapor na industrialização das sementes; em seguida, em média por cinco ou seis meses, toda a produção é armazenada em câmaras frigoríficas; e, em setembro, outubro e novembro, as sementes são faturadas com os produtores compradores (trimestre que todo o investimento se transforma em receita).

"Esse é um desafio do nosso negócio. E, apesar de divulgarmos nossos números trimestralmente, sempre mostramos os resultados referentes aos últimos 12 meses. É muito importante os nossos investidores olharem esse comparativo ano a ano", destaca Marino Colpo.

Agro brasileiro

Na última terça-feira (14), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) lançou um segundo ciclo do Programa de Imagem e Acesso a Mercados do Agronegócio Brasileiro (PAM-Agro). Segundo a agência, a proposta é "qualificar a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, posicionando o Brasil como referência global na produção agropecuária sustentável e reforçar o papel do país como potência agroambiental".

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, existe um imenso cenário no qual se inserem dinâmicas do agronegócio brasileiro e é crescente a importância dada à sanidade alimentar no pós-pandemia da Covid-19.

"Percepções equivocadas sobre o produto brasileiro poderão resultar no uso, como barreira não tarifária, de padrões técnicos sanitários e fitossanitários, inclusive com exigência de certificação, rastreabilidade e requisitos probatórios", afirma o ministro.

Em 2020, o agronegócio respondeu por quase metade das exportações brasileiras (48%). No primeiro semestre deste ano, as exportações do setor já somaram US$ 72,7 bilhões - que seria o maior valor da história no período, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou as exportações do agronegócio de agosto passado, que somaram US$ 10,9 bilhões - valor 26,6% superior em relação ao mesmo mês no ano passado.

Para Marino Colpo, o agronegócio no Brasil é o setor que tem a maior possibilidade de ofertar boas oportunidades para acionistas. A cadeia do agronegócio hoje representa 26% do PIB total brasileiro, mas na bolsa brasileira o setor não equivale a 2% das empresas listadas.

"Existe um alto interesse do investidor participar do agronegócio e não existem muitas empresas listadas na B3", ressalta Colpo.

Podcast +Q1Minuto

Ouça a íntegra da entrevista exclusiva com o CEO da Boa Safra e conheça mais sobre a empresa que segue embalada no crescimento junto com o PIB do Agro brasileiro.

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