Títulos públicos voltam a bater máximas; Tesouro Direto pode ser porta de entrada para investidores

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Títulos públicos voltam a bater máximas; Tesouro Direto pode ser porta de entrada para investidores Fernanda Siebra
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Considerado uma porta de entrada para outros tipos de investimentos, o Tesouro Direto continua atraindo muitos investidores que cansaram da poupança e buscam por rendimentos mais atrativos.

As emissões de títulos públicos por meio do programa federal somaram R$ 2,34 bilhões em junho deste ano, enquanto os resgates totalizaram R$ 1,53 bilhão no período.

Indefinições no cenário político e fiscal do Brasil têm influenciado diretamente na alta do preço dos papéis. No radar do mercado estão questão como: discussões em Brasília sobre um possível adiamento da reforma tributária e o rompimento do teto de gastos do governo federal, altos preços de matérias-primas para a indústria e energia elétrica, entre outros fatores que geram pressão inflacionária.

"O investidor que quer aplicar parte de seu patrimônio no Tesouro Direto também tem opções de acordo com o seu perfil. Não tem certo ou errado na escolha. O papel pós-fixado é mais conservador e o prefixado e IPCA+ são mais arrojados - principalmente, o prefixado de prazo mais longo. Afinal de contas, o IPCA+, pelo menos, protege a pessoa contra a alta da inflação", detalha o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane.

Altas históricas

Na manhã desta sexta-feira (13), o título prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais, chegou a alcançar 10,27% de retorno ao ano.

Já no grupo de papéis com retornos atrelados à inflação, o prêmio do Tesouro IPCA+, com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais, avançou para 4,83% na abertura do mercado desta sexta-feira.

Na mesma onde crescente de juros, o prêmio pago pelo papel prefixado com vencimento em 2026 chegou a avançar para 9,67%, ultrapassando a máxima histórica para esse papel.

Para acompanhar os dados atualizados diariamente sobre os preços e taxas dos títulos públicos brasileiros basta acessar a página oficial do Tesouro Direto.

Renda fixa mais atrativa

Em seu quarto anúncio de alta consecutiva desde 17 de março, quando o juro básico brasileiro saiu do patamar mais baixo de sua história (2% ao ano), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa Selic para 5,25% ao ano.

Em reunião no último dia 4 de agosto, o Copom sinalizou ainda a expectativa de novos aumentos que podem levar a Selic para 7% ao final deste ano, conforme estimativa do último relatório Focus.

Se a tendência do ciclo de alta dos juros seguir, também aumentarão de forma gradativa os retornos das aplicações financeiras que tenham o rendimento atrelado à Selic. Logo, investimentos mais conservadores como os CDBs, LCIs e LCAs pós-fixados, devem voltar a oferecer rentabilidades mais atrativas - ultrapassando a inflação e mantendo o poder de compra dos investidores brasileiros.

"Quando montamos uma carteira equilibrada destinamos boa parte do nosso patrimônio para a renda fixa. É algo mais simples e menos arrojado do que outras classes de ativos. Existem as opções de títulos de renda fixa que são isentos de IR, por exemplo, e devem ser avaliadas. São as debêntures, os CRIs e CRAs. Na prática são papéis que também são títulos de dívidas, como o Tesouro Direto. A diferença é que o emissor é uma empresa privada e não o governo", explica Leonardo Milane.

O Sócio e Economista da VLG Investimentos destaca que os títulos de dívida que não pagam Imposto de Renda (caso dos CRIs, CRAs e debêntures incentivadas) rendem mais - seja por isenção do IR ou por conta do risco maior de se emprestar dinheiro para uma empresa, ao invés de para o governo.

Para entender melhor o funcionamento do Tesouro Direto e dar os primeiros passos nos investimentos de renda fixa, ouça o episódio do podcast +Q1Minuto que foi gravado com foco no tema.

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