Organização financeira: como quitar dívidas e começar a investir

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► Confiança do consumidor cresce, mas ainda há dificuldade de recuperação financeira► Número de famílias endividadas aumenta em julho e é o maior desde 2010, aponta CNC

Em momentos de dificuldade econômica, os gastos aumentam e, muitas vezes, os rendimentos não são suficientes para cobrir as despesas de uma família. Dívidas com bancos e cartões de crédito são as principais causas de inadimplência no país, o que representa 29,7% do volume de débitos.

Segundo o Mapa de Inadimplência do Brasil, divulgado pelo Serasa em maio desse ano, cerca de 62,56 milhões de brasileiros estavam endividados no mês de maio. O valor médio do débito por pessoa é de R$ 3.937,98.

O mês de julho teve o maior percentual de famílias endividadas no Brasil desde 2010, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta última quinta-feira (5). O número de famílias que alegaram que não terão condições de pagar suas contas e permanecerão inadimplentes também aumentou de 10,5% para 10,8%. O mês acabou com 71,4% das famílias brasileiras endividadas.

Considerando as regiões brasileiras, o maior número de negativados estão localizados em São Paulo com 15,1 milhões. Rio de Janeiro (6,15 milhões), Minas Gerais (5,90 milhões), Bahia (3,92 milhões) e Paraná (3,27 milhões) também aparecem entre os cinco estados mais inadimplentes.

Por outro lado, o cartão de crédito traz benefícios atraentes, como a possibilidade de pagar as contas só depois de receber o salário. É inegável que se não houver um controle com esses gastos, o cartão de crédito pode virar uma bola de neve e só irá trazer mais dor de cabeça.

O primeiro passo a ser dado para equilibrar as finanças é ter uma boa organização financeira. Dessa forma, a pessoa se aproxima de suas metas e descobre como fazer o dinheiro trabalhar a seu favor. Para a especialista em finanças, Letícia Kratka, a primeira coisa que deve ser feita é organizar a vida financeira para que a pessoa entenda os seus gastos e ganhos.

“Pegue os últimos 3 ou 6 meses da sua vida, todos os gastos, tudo que você pagou e ganhou e entenda para onde foi todo esse dinheiro. O que você ganha menos o que você gasta é a sua economia mensal. Essa parcela deve ser pelo menos 20%”, explica a educadora financeira do Mercado1Minuto.

Segundo ela, é necessário reajustar os gastos para que eles sejam, no máximo 80% do que a pessoa ganha, assim terá uma economia de pelo menos 20% da renda e com isso poderá investir.

Em maio deste ano, a Associação Planejar realizou uma pesquisa nas regiões Sul e Sudeste do Brasil com 600 pessoas. Entre elas, 64,6% afirmaram que contam com planejamento financeiro, mas apenas 18,6% tem investimentos com renda fixa ou variável como meta.

“Certamente a organização financeira precisa de uma análise com atenção aos números para que seja bem planejada. O que você quer atingir? Quanto custa? Em quanto tempo? Você só vai investir quando souber seus objetivos. É muito importante adequar seu estilo de vida a sua renda e levar isso como compromisso”, finaliza Kratka.

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