Baterias de Nióbio podem colocar o Brasil na dianteira do desenvolvimento dos carros elétricos

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Baterias de Nióbio podem colocar o Brasil na dianteira do desenvolvimento dos carros elétricos Pixabay
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Os carros elétricos já se tornaram realidade entre as empresas, mas ainda têm desafios para serem superados pela indústria automotiva. Os grandes entraves para os veículos eletrificados são as baterias e a necessidade de investimento em infraestrutura que garanta ampla autonomia de deslocamento. As atuais baterias destes automóveis usam a tecnologia de íons de lítio, o mesmo tipo usado em smartphones, tablets e notebooks. Embora seja amplamente usada, a tecnologia apresenta uma série de desvantagens. Entre elas um longo tempo de recarga, o peso e o desgaste gerado pelo crescimento de “dendritos”, estruturas rígidas com projeções pontiagudas que aceleram reações indesejadas entre o eletrólito e o lítio, causando a falha da bateria.

Empresas de tecnologia, montadoras de automóveis e até metalúrgicas têm se debruçado para aperfeiçoar as baterias, como também descobrir novos componentes para torná-las mais sustentáveis. Com isso, o Nióbio poderá se tornar protagonista na corrida deste mercado nesta e na próxima década. Constantemente mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro, o metal é transformado em diversos produtos como o ferronióbio, óxido de nióbio e nióbio metálico. Quando combinado com produtos derivados do ferro, como o aço, ele traz ainda mais resistência para estes materiais – e ainda consegue diminuir o peso consideravelmente do produto.

Para tornar isso realidade, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder global na produção e fornecimento de produtos do nióbio, investirá R$ 60 milhões em 2021, quase o dobro dos R$ 37 milhões investidos no ano passado, para desenvolvimento de componentes que possibilitem o carregamento do veículo elétrico em apenas 6 minutos. Atualmente, os carros eletrificados levam de 4 a 8 horas para ter o carregamento completo. Em parceria com a japonesa Toshiba, a companhia mineira já tem disponíveis baterias com nióbio no mercado asiático, sendo disponibilizadas no setor de micromobilidade (bicicletas, scooters e triciclos).

“Temos a segurança de acreditar que o futuro do setor está no nióbio. Recentemente, um importante estudo desenvolvido pelo vencedor do Prêmio Nobel de Química, John Goodenough, confirmou a eficiência do óxido de nióbio nas baterias elétricas", informou a CBMM, em nota enviada ao Mercado1Minuto.

A empresa de Araxá também tem interesse no grafeno (nanomaterial composto apenas por carbono), que mostrou sinergias com o nióbio. Com a combinação dos dois elementos, a ideia da CBMM é ser um fornecedor global de placas utilizadas na fabricação de baterias recarregáveis. No ano passado, a empresa de metalurgia e tecnologia brasileira comprou 26% do capital de uma startup de Singapura que já tem estudos avançados de aplicações do grafeno, que é melhor condutor de calor que o diamante e 200 vezes mais forte que o aço, entre outras propriedades.

"Seguimos investindo para impulsionar e desenvolver novas tecnologias para eletrificação. Em uma das frentes de desenvolvimento de tecnologias para baterias elétricas automotivas com Nióbio, mais de 5 mil células devem ser testadas e homologadas durante o ano de 2021, estando disponíveis no mercado até 2023. Para isso, a busca por parceiros tecnológicos resultou no investimento de R$ 1,8 milhão em um laboratório do Senai, em Curitiba. Nesse caso, o foco é estudar o potencial do nióbio e o uso da nanotecnologia para a aplicação em baterias de íons-lítio mais seguras, com recarga mais rápida e maior estabilidade", comunicou a companhia mineira.

Para o vice-presidente de Veículos Levíssimos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e executivo da Riba Brasil, Rui Almeida, a preocupação com a preservação do meio ambiente tem colocado em curso uma revolução na indústria automotiva, visto que a eletromobilidade é um processo irreversível, que ficou ainda mais evidente com a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

"Num cenário realista, que incorpora as políticas de incentivos já adotadas pelos países, haverá 140 milhões de carros elétricos rodando no planeta em 2030, entre carros, ônibus e caminhões. Num cenário mais otimista, que incorpore as metas do Acordo de Paris e outras, o mercado poderá chegar a 245 milhões de veículos eletrificados em uma década – ou nada menos do que 30% do mercado global. E isso sem contar os veículos elétricos levíssimos de duas ou três rodas, como e-bikes, motos e scooters elétricas, que também crescem exponencialmente", finaliza.

Acordo de Paris

Em dezembro de 2015, a Declaração de Paris traçou uma meta global para que todo o planeta alcance o patamar de 100 milhões de veículos elétricos (VEs) em circulação até 2050.

A maior parte dos países signatários do Acordo de Paris assumiu compromissos de corte das emissões de gases do efeito estufa. Diversas nações anunciaram metas concretas de mudança da matriz de combustível do transporte público e particular.

Dinamarca, França, Áustria, Holanda, Portugal e Reino Unido confirmaram, na época, que pretendiam ter uma frota de veículos elétricos superior a 10% da frota total de cada país, até o ano passado.

Já os países escandinavos foram os mais radicais. Dinamarca, Suécia e Noruega registraram uma ambiciosa meta de eliminação total do uso de combustíveis fósseis em suas economias até 2050 – mudando, portanto, não somente a matriz energética dos transportes. A Finlândia comprometeu-se a chegar aos 80%.

A Declaração de Paris projeta uma frota global de 100 milhões de VEs em 2050.

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