Campos Neto diz que país não tem espaço fiscal para medidas adicionais de estímulo sem compensação

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Campos Neto diz que país não tem espaço fiscal para medidas adicionais de estímulo sem compensação Raphael Ribeiro/BCB
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou que o país não tem espaço fiscal para adotar medidas adicionais de estímulo sem uma compensação que evite um aumento das despesas e alertou que um movimento nesse sentido poderia afetar a política monetária.

"Se você fizer outro pacote fiscal sem contrapartida, a mensagem que vai passar é que a trajetória da dívida vai continuar aumentando, (assim como) o prêmio de risco que os investidores vão pedir para segurar a dívida do Brasil", disse Campos Neto ao participar de evento virtual do Observatory Group. "Pode ter uma implicação para o tipo de política monetária que o Banco Central pode fazer", acrescentou.

Ele reforçou o argumento de que um aumento de gastos feito com a intenção de promover a atividade da economia pode acabar tendo um efeito contracionista.

Além disso, Campos Neto disse entender a ansiedade do mercado com os dados recentes de inflação, mas destacou que a política monetária precisa mirar no longo prazo e que muitos componentes da inflação são temporários.

"Entendemos que há muito barulho no curto prazo, temos dito que achamos que muitos componentes da inflação são temporários, reconhecemos que a inflação se espalhou mais do que esperávamos, os números do núcleo estão mais altos do que nós esperávamos", continuou.

Janeiro tem inflação de 0,25%, menor índice em quatro meses

A inflação em janeiro foi de 0,25%, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. O índice é o menor desde agosto e encerra um período de quatro altas seguidas. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 4,56%.

A mudança na bandeira tarifária das contas de luz e as quedas nos preços de passagens aéreas ajudaram a segurar a inflação em janeiro, embora os itens alimentos e bebidas continuem a pressionar os preços.

Entre os itens que registraram elevação dos preços, destaque para o grupo Alimentação e Bebidas (1,02%), que apresentou a maior variação e o maior impacto positivo (0,22 ponto percentual) no índice do mês. A alta, no entanto, foi menos intensa do que a registrada em dezembro (1,74%).

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