Indústria da beleza cresce na pandemia e cosméticos naturais se destacam

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Indústria da beleza cresce na pandemia e cosméticos naturais se destacam Pixabay
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A intensificação dos hábitos de higiene pessoal, necessária em tempos de pandemia refletiu nos números do setor de higiene pessoal e perfumaria, sobretudo em itens como álcool em gel, sabonetes líquidos, cremes e xampus.

O “Kit Covid”, formado por álcool em gel, sabonetes líquidos, papel higiênico, lenços e toalhas de papel, teve alta de 16,1% nas vendas nos primeiros nove meses de 2020. Produtos voltados aos cuidados com os cabelos, como xampus, condicionadores e para tratamento capilar tiveram um aumento de 8,2%, 20,6% e 10%, respectivamente. O consumo de hidrantes para as mãos também cresceu, chegando a um número 169,1% maior do que o mesmo período do ano passado.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abhipec) o setor deve crescer entre 1% e 2% em 2020, abaixo da projeção pré-pandemia, que era de 5%, mas relevante considerando que a projeção do Banco Central para o Brasil no ano é encolher 5,7%. Em 2019, o setor faturou R$ 116,8 bilhões.

“Em tempos de pandemia, os resultados de performance da indústria brasileira de HPPC vêm se consolidando com equilíbrio e coerência, de forma mais positiva do que prevíamos no início da crise. Para atingirmos esses resultados, foi fundamental para o nosso setor termos sido considerados essenciais para o país, inclusive pelo governo”, afirmou João Carlos Basilio, presidente-executivo da Abhipec, durante apresentação dos resultados de 2020 até setembro.

Uma fatia ainda pequena (2,5%) desse bolo é formada por produtos naturais: cosméticos sem reagentes químicos, com cadeia sustentável de fornecedores, sem testes em animais e, em alguns casos, até vegana. Esses produtos naturais, menos agressivos ao meio ambiente, estão ganhando espaço nas prateleiras – tanto das feirinhas de rua quanto das farmácias e mercados.

Segundo a BioBrazil Fair, maior feira de produtos orgânicos e naturais da América Latina e que acontece anualmente em São Paulo, o setor de orgânicos teve faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2019 e vem crescendo a um ritmo de 10% a 15% ao ano. Dentro desse universo, e em ritmo ainda mais acelerado – de cerca de 20% ao ano - cresce o mercado de cosméticos naturais, que sozinho movimenta anualmente cerca de R$ 3 bilhões.

Além de produtos "ecofriendly", veganos e "cruelty free" fabricados com o menor impacto ambiental possível, as marcas investem também numa conexão direta com seu público, formado sobretudo por jovens engajados e consomem não só o produto, mas também a marca.

A empresa carioca Lola é conhecida por embalar sua produção natural em embalagens ‘descoladas’ e com mensagens diretas e bem-humoradas. A começar pelo nome dos produtos: “Be(M)dita Ghee”, “Morte Súbita”, “Meu Cacho Minha Vida” ou “Eu sei o que você fez na química passada”. Nos rótulos, com arte e cortes fortes, as mensagens de que os produtos não têm parabenos, sulfatos, silicones insolúveis, óleo mineral, parafina nem derivados de animais.

A Lola começou em 2008, quando a empresária Dione Vasconcellos comprou junto com sócios uma fábrica de produtos de beleza e higiene pessoal. Os primeiros três anos foram produzindo para marcas nacionais e estrangeiras até que, em 2011, resolveram lançar uma marca própria. Hoje, os produtos já estão em mais de 10 mil pontos de venda no país e exportando para países da América Latina, África, Europa e Oriente Médio.

A Natura (NTCO3), maior empresa brasileira do setor, responsável por 12% das vendas de cosméticos no país e que, de janeiro a setembro do ano passado, já havia faturado R$ 10,4 bilhões, há anos associa sua marca com sustentabilidade e integração com a natureza. Esse ano, pela primeira vez, o grupo Natura&Co, formado por Avon, Natura, The Body Shop e Aesop, entraram na lista de empresas mais sustentáveis do mundo no ranking Global 100, elaborada pela Corporate Magazine, empresa canadense de mídia e pesquisa especializada em sustentabilidade corporativa.

No ano passado, a Natura divulgou o documento “Compromisso com a Vida”, visão estratégica de negócios e sustentabilidade para 2030, que abrange metas de proteção à Amazônia, combate à crise climática, proteção aos direitos humanos e incentivo à economia circular.

A concorrente multinacional Unilever lançou no Brasil, em 2019, a linha vegana e natural Love Beauty and Planet. Os produtos, hoje presentes em mais de 30 países, são certificados pelas instituições de defesa dos animais PETA e Vegan Act. Essa foi a primeira marca de beleza criada pela Unilever em mais de uma década.

No mundo, o mercado de cosméticos naturais movimenta cerca de US$ 35 bilhões por ano. A projeção é que, em cinco anos, esse volume chegue a US$ 54,5 bilhões, segundo estudo da Londres Future Market Insights. E o Brasil, naturalmente, é um mercado atraente para esses investimentos, já que o país está consolidado como o quarto maior consumidor mundial de cosméticos e tem ainda um espaço grande para crescer.

Para o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, o tripé formado pelos princípios ESG é um diferencial para as empresas.

“O investidor está cada vez mais atento a isso. Nesse tripé bem estabelecido: o sócio, o ambiental e uma governança muito boa e independente. As empresas que têm esse tripé, normalmente, a gente costuma observar uma dinâmica de valorização mais intensa e até menos volatilidade do que empresas que não têm”, afirma Milane.

Balança comercial

Mesmo diante de uma conjuntura econômica desfavorável em 2020 e de inúmeros desafios decorrentes da COVID-19, a balança comercial do setor brasileiro de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos registrou superávit de US$ 23.4 milhões em 2020, revertendo o valor deficitário registrado em 2019, de US$ - 105.9 milhões., segundo dados do Ministério da Economia.

De acordo com a Abhipec, o saldo positivo da balança comercial – após 10 anos com déficit - é resultado de um volume de US$ 609,3 milhões em exportações, um aumento de 1,9% em relação ao ano anterior. Os destinos somaram 174 países.

Diante da alta do dólar e da pandemia afetando as importações - em maior escala que as exportações -, o setor de HPPC importou US$ 585.9 milhões no acumulado de 2020, registrando uma queda de 16,8% na comparação com 2019.

No entanto, os números da última década apontam que o setor segue importando uma série de produtos o que demonstra que o resultado superavitário da Balança Comercial setorial de 2020, não é exatamente uma tendência que venha a se confirmar para os próximos anos, existindo ainda um conjunto de oportunidades para a produção nacional e o abastecimento da população, com itens produzidos localmente.

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