Pesquisa confirma aumento do consumo de alimentos saudáveis durante pandemia

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Dados divulgados pelo estudo NutriNet Brasil, projeto realizado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), apontaram uma alta na taxa de consumo de alimentos saudáveis por parte da população brasileira durante o período da pandemia da Covid-19. A pesquisa mostrou que a ingestão de alimentos como frutas, hortaliças e feijão registrou uma alta de 4,4%. Com isso, a taxa que era de 40,2% subiu para 44,6% no período.

Em relação ao consumo, os dados mostraram aumento de 1,8% nas verduras e legumes, as frutas subiram 3,5% e as leguminosas registraram uma alta de 1,8%. O levantamento realizado com 10 mil participantes corrobora outra pesquisa feita pelo Ministério da Saúde. A pasta mostrou que quatro em cada dez brasileiros alteraram os hábitos de alimentação durante a pandemia.

O coordenador do NutriNet Brasil, professor Carlos Monteiro, comenta sobre quais motivos podem ter levado a população a ter essa mudança na alimentação.

"As novas configurações causadas pela pandemia na rotina das pessoas podem tê-las estimulado a cozinhar mais e a consumir mais refeições dentro de casa. Além disso, uma eventual preocupação em melhorar a alimentação e, consequentemente, as defesas imunológicas do organismo, podem ser consideradas", explicou Monteiro.

Essa alteração caminha com o crescimento que vem sendo registrado por esse setor no país, que é um dos destaques mundiais em relação ao consumo destes alimentos.

Uma pesquisa feita pela Agência Internacional Euromonitor apontou que Brasil é o 4º colocado em consumo de alimentos saudáveis no mundo. Chegando a movimentar cerca de US$ 35 bilhões por ano. Os dados da pesquisa ainda mostram que no período dos últimos cinco anos o setor de alimentos e bebidas saudáveis teve um crescimento médio de aproximadamente 12% ao ano.

Impacto na Agricultura

O aumento do consumo de alimentos saudáveis implicou em um cenário positivo para os pequenos produtores. Além das tradicionais vendas no varejo, o comércio online conectado com as entregas em domicílio colaborou com bons resultados para esses agricultores regionais.

Dados levantados e divulgados pela Associação de Promoção dos Orgânicos apontaram um crescimento de 10% do setor de produtos orgânicos durante a pandemia. Foi evidenciado que as vendas desses produtos tiveram aumento de cerca de 50%, no primeiro semestre de 2020.

A diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner, explica os desafios enfrentados pelos pequenos agricultores e agricultores familiares.

“Muitos optaram por entregar cestas em domicilio, oferecendo listas dos produtos disponíveis, seja utilizando o WhatsApp ou outras mídias sociais. A tecnologia pode oferecer mais facilidade de manejo para os produtores e atender a todos os parâmetros de higiene estabelecidos pelas autoridades”, comenta a diretora.

Para Sylvia, essa crise econômica trouxe mudanças na mentalidade tanto do produtor quanto do consumidor.

“Os produtores estão começando a repensar sua cadeia produtiva e de abastecimento, enquanto os consumidores continuam a buscar alimentos mais regionais e saudáveis também pautados pela sustentabilidade”, defende.

O resultado foi que os pequenos produtores tiveram de se adaptar a situação atual, passando a ter de dialogar diretamente com o varejo, negociando preços e formas de pagamento, além das vendas nos canais virtuais - que se tornaram tendência nesse período.

Cenário para 2021

Segundo o Sebrae, a expectativa para o ano atual é que o mercado siga aquecido, devido ainda a reflexos do cenário de 2020 e as ações implementadas pelo governo federal, entre elas as linhas crédito especiais para o setor. Das mais de 15 mil propriedades certificadas no país, 75% são de agricultores familiares.

Outro fator que colabora para essa expectativa é que as pessoas que fizeram essa experiência de implementar mais produtos saudáveis na alimentação mantenham essa mudança alimentar mesmo depois da pandemia, ao ver os impactos positivos na saúde.

“Isso nos mostra que a agricultura orgânica cresce e é procurada cada vez mais pelos produtores e pelos consumidores”, finaliza o analista técnico do Sebrae, Luiz Rabelatto.

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