Startups bilionárias: quais são os unicórnios brasileiros?

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Startups bilionárias: quais são os unicórnios brasileiros? Fold 'n Crease
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Uma startup unicórnio é aquela que atingiu valor de mercado de US$ 1 bilhão antes de abrir seu capital em bolsas de valores. O termo surgiu em 2013, quando Aileen Lee, fundadora da empresa de investimentos de capital de risco Cowboy Ventures, publicou o artigo Welcome To The Unicorn Club: Learning From Billion-Dollar Startups. Unicórnios são criaturas mitológicas, raras e mágicas que se destacam das demais, e a palavra brinca com essa ideia, já que 70% das startups não chegam ao segundo ano depois de terem seu primeiro investimento, de acordo com a plataforma de análise de negócios e banco de dados global CB Insights.

Aileen Lee chegou a considerar outros termos como "home run" ou "mega hit".

"But then I put 'unicorn' in and it all fit. I wanted to convey rarity and alchemy" (Mas então eu coloquei "unicórnio" e tudo se encaixou. Eu queria transmitir raridade e alquimia), disse durante entrevista no evento Geek Wire em 2018.

No artigo publicado pela investidora de capital de risco, 39 empresas recebiam esse título, hoje, o número de unicórnios é muito maior. De acordo com Lee, os primeiros unicórnios teriam surgido nos anos 90, com o Google sendo o destaque da década. Nos anos 2000, o destaque iria para o Facebook. Em 2020, já existiam mais de 500 startups unicórnios no mundo, segundo a CB Insights. Acesse a lista completa clicando aqui.

Em geral, uma das características dessas empresas é a inovação no mercado, por exemplo, a Uber revolucionou o transporte, permitindo que as pessoas solicitassem veículos através de um aplicativo, já o Spotify foi responsável por inovar o modo que as pessoas ouviam música, trazendo o streaming. Quando o assunto é categoria, a maioria delas é de software de internet, seguido por e-commerce, fintechs, saúde e serviços on demand. O país com a maior quantidade de unicórnios são os Estados Unidos, depois China, Grã-Bretanha, Índia, Alemanha e Coreia do Sul.

Outros termos podem ser utilizados para definir empresas ainda mais raras. Startups que possuem o valor de mercado superior a US$ 10 bilhões, podem ser chamadas de decacórnios. No relatório mais atual a CB Insights, 26 empresas no mundo possuem esse título. No Brasil, apenas o Nubank faz parte deste grupo.

Aqui, o primeiro unicórnio foi a 99, companhia do ramo de transporte. O número de empresas que recebem essa classificação pode mudar dependendo dos critérios avaliados e do veículo que faz essa avaliação. Só em 2020, o país viu surgirem dois novos unicórnios confirmados pela plataforma de análise de negócios: Loft e Creditas.

Apresentaremos as 9 empresas brasileiras que podem ser consideradas unicórnios:

99

  • Produto: aplicativo de transporte
  • Quando se tornou unicórnio: janeiro de 2018

A 99 foi criada em 2012, em São Paulo, por Paulo Veras, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, e se tornou unicórnio ao ser adquirida por US$ 1 bilhão pelo grupo chinês Didi Chuxing, empresa que presta serviços na área de tecnologia e transporte privado por meio de um aplicativo para smartphone avaliada em US$ 62 bilhões.

Nubank

  • Produto: banco e cartão de crédito
  • Quando se tornou unicórnio: março de 2018

Fundada em 2013, a startup brasileira pioneira no segmento de serviços financeiros anunciou em 2018 o recebimento de US$ 150 milhões em uma rodada de investimentos do fundo DST Global. Poucos meses após o comunicado, o Nubank foi avaliado em US$ 4 bilhões ao receber fundos da chinesa Tencent. Foi a primeira empresa brasileira a se tornar decacórnio, após ser avaliada em US$ 10 bilhões em 2019.

Ifood

  • Produto: aplicativo de delivery
  • Quando se tornou unicórnio: novembro de 2018

Em novembro de 2018, o Ifood, que pertence à holding Movile, recebeu aporte de US$ 500 milhões dos fundos Naspers e Innova Capital, elevando o seu status ao de unicórnio. A empresa é líder no setor na América Latina, com presença na Argentina, no México e na Colômbia.

Loggi

  • Produto: transportadora
  • Quando se tornou unicórnio: junho de 2019

Fundada pelo francês Fabien Mendez, a Loggi, empresa de entregas, se tornou unicórnio após receber US$ 150 milhões em uma rodada liderada pelo grupo japonês SoftBank. A companhia anunciou que pretende investir ao menos R$ 600 milhões em tecnologia e inovação nos próximos dois anos com a estratégia de reforçar a capacidade de armazenagem e de entrega.

QuintoAndar

  • Produto: aluguel de residências
  • Quando se tornou unicórnio: setembro de 2019

O QuintoAndar foi fundado em 2013 por André Penha e Gabriel Braga com o objetivo de intermediar a relação entre proprietários e inquilinos, prometendo facilitar a transação sem necessidade de fiador, caução ou seguro fiança. Assim como a Loggi, a empresa recebeu financiamento do SoftBank, porém no valor de US$ 200 milhões. Hoje, está presente em 25 cidades brasileiras e fecha 4,5 mil contratos por mês.

Ebanx

  • Produto: pagamentos
  • Quando se tornou unicórnio: outubro de 2019

A Ebanx é uma fintech brasileira fundada em 2012 que oferece soluções de pagamento entre consumidores da América Latina e empresas globais. Seu diferencial é possibilitar que empresas estrangeiras vendam produtos cobrando em moeda local. Em 2018, foi considerada a líder em pagamentos internacionais no Brasil. A companhia virou unicórnio após receber um novo aporte do fundo de private equity FTV, do Vale do Silício.

Wildlife Studios

  • Produto: jogos para celular
  • Quando se tornou unicórnio: dezembro 2019

A Wildlife, fundada em 2011, se tornou unicórnio após receber aporte de US$ 1,3 bilhão do Benchmark Capital. A empresa faz jogos gratuitos para celular, porém fatura com microtransações (compras realizadas dentro dos aplicativos). Alguns dos seus maiores sucessos são: Sniper 3D, Colorfy e Tennis Clash.

Loft

  • Produto: compra, reforma e venda de imóveis residenciais
  • Quando se tornou unicórnio: janeiro de 2020

A Loft foi fundada em 2018, em São Paulo, por Mate Pencz e Florian Hagenbuch, criadores também da gráfica digital Printi. A empresa tem como objetivo revolucionar o mercado imobiliário tradicional usando a tecnologia para simplificar a venda e compra de imóveis.

Creditas

  • Produto: crédito com base em garantias
  • Quando se tornou unicórnio: dezembro de 2020

A BankFácil foi fundada em 2012 por Sergio Furio, espanhol que trabalhava em uma empresa de consultoria da Nova York e resolveu apostar no mercado de crédito local no Brasil. Em 2017, a companhia mudou o nome para Creditas. Em 2019, recebeu aporte de US$ 231 milhões liderado pelo SoftBank, porém só virou unicórnio no final de 2020 após novo aporte, agora de US$ 255 milhões, liderados por fundos de private equity.

Outras

Algumas companhias podem ser mencionadas mesmo não estando na lista da CB Insights. Elas não podem ser consideradas unicórnios por já terem feito IPO, por não cumprirem com os requisitos necessários definidos ou por não terem sido avaliadas pelas instituições.

A PagSeguro, empresa de meio de pagamentos fundada em 2006, foi considerada unicórnio por alguns em janeiro de 2018 antes de abrir seu capital na bolsa de valores de Nova York. A discussão se ela pode ou não ter sido um unicórnio tem como base o fato de que ela não é considerada uma startup, uma vez que grande parte do seu sucesso se deve por ela pertencer ao UOL.

A Stone, que também trabalha com meios de pagamento, chegou ao valor de mercado de um unicórnio antes de abrir capital na bolsa de valores de Nova York em 2018 e alcançar um valor de mercado de cerca de US$ 9 bilhões.

A Gympass, empresa de serviço de bem-estar que oferece assinaturas de academias e atividades físicas, recebeu US$ 300 milhões em uma rodada de investimento liderada pelo SoftBank e é considerada unicórnio. Entretanto, apesar de ter sido fundada pelo brasileiro César Carvalho, seu país de origem é os Estados Unidos. Hoje, está presente em 14 países.

Apesar de não estar no relatório da CB Insights, a startup de e-commerce VTEX anunciou em setembro de 2020 que recebeu um aporte de US$ 225 milhões, atingindo o valor de mercado de US$ 1,7 bilhão. A rodada de investimentos foi integrada pelo Softbank, Endeavor Catalyst, Tiger Global, Lone Pine Capital e Constellation.

Já em janeiro deste ano, o site de venda de artigos para o lar MadeiraMadeira anunciou que recebeu um aporte de US$ 190 milhões liderado por SoftBank e Dynamo, atingindo valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. O anúncio ocorre 16 meses após ter recebido outro aporte de US$ 110 milhões.

Quais os próximos unicórnios brasileiros?

A Tracxn, empresa de pesquisa em inovação, listou 17 companhias estão na mira de se tornarem os próximos unicórnios brasileiros: C6, que recentemente captou R$ 1,3 bilhão em dívida conversível em ações, Cargo X, Conta Azul, Estapar, Guiabolso, Hurb, Neon, Nuvemshop, Olist, Recargapay, Solinftec, Superlógica, Take Blip, Taranis, Tembici e Uol.

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