Taxas para pessoas e empresas devem subir nos próximos meses, afirma presidente do Tesouro

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Em live promovida pelo Tesouro Nacional pela Semana da Educação Financeira nesta quarta-feira (25), o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, afirmou que os juros cobrados do governo aumentadas pelas preocupações do mercado com o cenário fiscal e que as taxas para pessoas e empresas devem acompanhar esse movimento nos próximos meses.

Funchal destacou a importância dos títulos do governo, que servem como base para precificação de empréstimos na economia, e do processo de consolidação fiscal que pode ajudar a controlar esses efeitos:

"Naturalmente isso pode influenciar a taxa de juros para pessoas e empresas na ponta da linha, isso vai acabar se verificado ao longo dos próximos meses ou dos próximos anos", disse.

Bruno Funchal faz uma análise das finanças do Governo Federal, mostrando o resultado primário negativo que começou em 2014 (-0,4%), ou seja, o gasto com as despesas foi maior do que a receita no período. Este déficit introduziu a regra do Teto de Gastos em 2016, que começou a inverter essa tendência, chegando a -1,2% em 2019. Entretanto, este indicador foi fortemente afetado pelas despesas relacionadas à pandemia do Covid-19 em 2020, causando uma deterioração do indicador.

"Em 2021 a gente precisa voltar a controlar gastos e fazer um processo de ajuste de contas para que as receitas voltem a ser maiores que as despesas para ter um endividamento controlado e pagar essa conta que foi feita ao longo de 2020", diz Funchal.

Para 2020, a projeção apresentada por Bruno Funchal mostra uma dívida bruta do governo de 96% do PIB, algo que pode requerer aumento da tributação ou redução das transferências de renda e da oferta de bens e serviços pelo governo no futuro. Isso significa um aumento da percepção de risco.

"Para pagar essa conta, a gente pediu dinheiro emprestado para as famílias, pessoas e empresas e isso reflete no leilão dos Títulos do Tesouro. Em 2020, o volume de crédito pedido foi muito maior. Isso acaba se refletindo nos juros. Se a gente fizer o dever de casa, voltar com o processo de consolidação fiscal, consegue voltar a ter juros mais baixos. E aí é bom para todo mundo. Além de controlar o nível de gasto, o governo deve controlar a qualidade de gastos, trazendo instrumentos para o gestor público controlar o crescimento das despesas obrigatórias para investir e promover as políticas públicas alinhadas com os desejos da sociedade", continua.

Fora o teto de gastos em 2016, o secretário do Tesouro destacou ainda a importância da reforma da previdência para reduzir o crescimento dos gastos com aposentadorias e pensões, com impacto significativo no longo prazo.

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