Mercado imobiliário deixa a crise provocada pelo coronavírus para trás e prevê futuro promissor

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Mercado imobiliário deixa a crise provocada pelo coronavírus para trás e prevê futuro promissor Foto: Sérgio Souza/Unsplash
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A pandemia provocada pelo novo coronavírus não fez desaparecer o desejo do brasileiro em investir no mercado imobiliário. Ainda não é possível mensurar os prejuízos provocados pela crise, mas especialistas estão otimistas com os últimos resultados. Dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) apontam que, apesar da queda na renda da população, o número de imóveis financiados deu um salto de 42% de janeiro a agosto deste ano. A expectativa futura também é positiva para o setor. Uma prova disso é um levantamento feito pela Datastore, empresa especializada em pesquisas para o setor imobiliário, que mostrou que as intenções de compra de imóveis para os próximos 24 meses passaram de 8,75%, em junho, para 23,10% em agosto.

Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Sandro Carlesso, o bom resultado das vendas deste segmento está relacionado diretamente com a redução da taxa básica de juros (Selic), que, atualmente, está em seu menor patamar histórico, além de melhoria da oferta de crédito para financiamento dos imóveis.

"Os bancos estão mais propensos para liberação de valores, proporcionando um ambiente vantajoso para o cliente avaliar, confrontar propostas e obter um financiamento a um custo menor. Soma-se a isso, a própria insegurança gerada pela Covid-19 no mercado financeiro. Essa dúvida tem provocado um direcionamento dos investidores para o mercado imobiliário, cujo risco é menor e a rentabilidade é garantida no médio e longo prazo. Outro fator relevante é a inflação baixa, que neste cenário oferece pouco rendimento da tradicional caderneta de poupança brasileira. Por isso, muitas famílias têm optado por aplicar estes recursos depositados na aquisição de imóveis", destacou.

Muitos brasileiros pensam ou já pensaram em viver com a renda de um imóvel algum dia, mas os altos valores podem ser um empecilho. Uma opção viável para essas pessoas pode ser a aplicação de seus recursos em fundos imobiliários (FIIs). Esses fundos são constituídos por investidores que querem aplicar seus recursos em empreendimentos imobiliários, como na construção de prédios ou em imóveis já prontos. Eles são investimentos de renda variável, em sua maioria negociados na bolsa de valores e não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Apesar dos FIIs serem desconhecidos pela grande maioria das pessoas, a procura por informações sobre eles vêm aumentando nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela B3, o número de pessoas físicas que investem em fundos imobiliários superou a marca de um milhão em agosto. No final de 2019, a base total de cotistas listados na bolsa brasileira era de 645 mil, o que representa um aumento de 55% em comparação ao patamar atual.

O economista do Grupo ZAP, Edivaldo Pereira, avalia que os fundos imobiliários representam uma possibilidade real de investir no setor de forma mais barata, fácil e prática. Isso porque os FIIs exigem uma menor mobilização de capital, uma vez que pessoas com pouca quantia podem ter acesso ao mercado imobiliário através desse mecanismo.

"O valor necessário para comprar cotas dos fundos imobiliários na bolsa de valores é significativamente menor que o necessário para adquirir um imóvel, que para a grande parte do brasileiro, representa o maior investimento realizado na sua vida. Vale destacar também que o imóvel é um bem físico de baixa liquidez. Dessa forma, caso seja necessário reaver o dinheiro investido na compra de um imóvel, isso não ocorrerá de forma imediata, pois será necessário anunciar o imóvel, negociar, resolver questões burocráticas. Por outro lado, os fundos imobiliários permitem uma realocação mais fácil dos seus recursos. Por fim, a administração dos fundos imobiliários fica a cargo de um gestor especializado. Dessa forma, o cotista não terá que se preocupar com documentação, pagamento de condomínio ou IPTU, manutenção do imóvel", justificou.

Para Carlesso, as vantagens de se adquirir um imóvel são muitas porque são bens permanentes, com possibilidade de valorização assegurada a médio e longo prazo. "É diferente de outros produtos, como um carro que desvaloriza a partir do momento que deixa os pátios da fábrica", pontua, acrescentando que o mesmo se aplica a ativos financeiros, que são mais suscetíveis aos eventos econômicos e sociais.  

Edivaldo Pereira acrescenta ainda que a compra de um imóvel é uma das decisões mais importantes na vida das pessoas e vários são os fatores que devem ser levados em conta antes de concretizar o negócio.

"Uma das vantagens de se ter um imóvel é ter uma propriedade em seu nome, o que aumenta sua satisfação e traz segurança. Além disso, é possível planejar o imóvel dos sonhos, realizar reformas da forma que bem entender. Em contraposição, o investimento necessário para adquirir esse bem possui um valor elevado. Já sobre os fundos imobiliários, não é necessário possuir grande quantia para adquirir cotas de participação, e não é preciso comprometer parte de sua renda por longo período (supondo que a compra de imóvel será financiada). A decisão de comprar um imóvel ou adquirir fundos imobiliários, passa diretamente por questões individuais e a melhor escolha é sempre relativa para cada pessoa. Porém, o planejamento financeiro se impõe como forma de garantir que a melhor decisão possível seja tomada", finaliza.

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